MEU DIA FELIZ

02:18 PM, 9/5/2008 .. 0 comments .. Link


02:13 PM, 9/5/2008 .. 0 comments .. Link

As outras mães

             Almoços em restaurantes superlotados, presentes, mensagens e choros sentimentais. A melhor mãe do mundo estará em todos os abraços, em todas as homenagens.  No meio desse cenário, deixemos um pequeno espaço para as outras mães, as excluídas desse processo.
Qual o sentimento da mãe de um homem bomba, que aceita morrer em nome de uma causa e a família recebe alguns milhares de dólares por isso? Será que o dinheiro soldará os pedaços de seu coração? Sofrerá menos  aquela que sabe que o filho está doente e à morte?
Quanta dor e desesperança sente a mãe cuja vida se esvai rapidamente, sabedora de que não verá sequer a juventude dos filhos! E ela precisa sorrir o sorriso dos fortes, porque é o que lhe pede o pouco de vida que lhe resta.  Quanto desânimo e desespero o da mãe que dá todo seu amor e vê o filho procurar as emoções e a morte nas drogas, sem que ela consiga acreditar no que está acontece.
O que dizem os olhos da adolescente grávida, sem família, na rua? Bênção, estorvo ou castigo, o que carrega no ventre? Como bate seu coração frente às vitrines que lhe vendem sonhos de rainha?
Triste espera a da mãe cujo filho foi à guerra e ela não sabe se ele volta, e ele não volta; morre por uma razão qualquer que ninguém sabe direito qual é. Morre pela falta de razão. Heróica   a espera da mãe grávida que descobre que o filho nascerá com problemas, e ela aguarda seu nascimento como quem aguarda o desabrochar de um botão, para doar-se inteira.
Que canção de ninar canta para suas lembranças a mãe esquecida pelos filhos e pela vida e que já nada espera, mas ainda anseia por uma volta, um afago, um “olá”?  Que melodia embala o sono da prostituta, privada do convívio do filho e “premiada” com o convívio artificial dos homens?
Um prato de comida deve ser o presente que almeja a pobre mãe faminta e perdida, vítima da incompreensão e do jogo de xadrez dos poderosos. Talvez nem aceite o prato e prefira dá-lo ao filho, faminto igual a ela, mas ainda com um coração menor. Uma notícia, uma possibilidade, uma réstia de luz seria o melhor presente à mãe cujo filho desapareceu no tempo.
As outras mães,  para quem um sorriso seria o melhor presente. Lembremo-nos delas. Um pensamento, um suspiro, uma oração. Não custa nada, e Deus não vai se chatear.


Donald Malschitzky


A felicidade

02:11 PM, 9/5/2008 .. 0 comments .. Link

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

Carlos Drumond de Andrade

O tempo de mudança

02:08 PM, 9/5/2008 .. 0 comments .. Link

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Albert Einstein

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